COMO GANHAMOS O ARCHATHON RIO

 

Olá, gostaríamos de compartilhar um pouquinho de como foi a maratona Archathon que aconteceu no Rio de Janeiro nos dias 25, 26 e 27 de Agosto em que nós ( Mariana Barbosa e Caroline Taveira arquitetas aqui da [Lev.] ) com a parceria da super-arquiteta Barbara Schwartz, vencemos o concurso com o projeto do Estúdio do Escritor e com isso ganhamos a oportunidade de executar o espaço na mostra mais conceituada de arquitetura e interiores que é o CASA COR.

Pra começar, vale lembrar que nós [Lev.] além de trabalhar com visualização, também fazemos projeto de arquitetura, principalmente para mostrar o processo de elaboração em 3D com o Sketchup, V-Ray e o Photoshop.

Analisando algumas estratégias para mostrar como uma boa apresentação pode fazer a diferença na hora de mostrar o projeto, encontramos a maratona do Archathon como possibilidade para trocar experiências com jovens arquitetos e também entender um pouco mais sobre as ferramentas de apresentação que eles usam.

Nos inscrevemos com os projeto autorais, alguns deles estão aqui no site. E torcemos para passar na primeira fase.

Nessa fase, eles analisam o portfólio enviado.

E aqui gostaria de falar o quão importante é ter um portfólio na manga, de preferência atualizado, e que, os projetos nele, reflitam de cara qual a tipologia dos projetos que você quer fazer.

Para o briefing do Archathon eles pediram projeto com predominância em arquitetura de interiores.

Fizeram uma triagem dentre os projetos enviados e chega a notícia que passamos entre as 30 equipes selecionadas para a maratona.

 

Preparação

Dali em diante o que fizemos foi estudar o processo do concurso.

Analisamos o regulamento, vimos os ganhadores das outras edições e também fizemos uma extensa pesquisa sobre ONDE seria o Casa Cor Rio 2017.

Para nossa surpresa nos deparamos com o AQWA Corporate. Esse edifício que fica na região revitalizada do porto do Rio de Janeiro, foi projetado por ninguém menos do que o escritório Foster+Partners.AQWA Corporate - Sede Casa Cor Rio 2017

Esse edifício tem tantas questões de impacto urbano, social, econômico, que depois vamos fazer um post só dele.

Mas pra adiantar, ficamos super animadas com a possibilidade de estar nesse espaço construído e pensado pela equipe do Foster.

Além da pesquisa do local, das edições passadas do concurso, também vimos quem seriam os parceiros apoiadores da Archathon, pois de cara já podíamos pensar em possibilidades de encaixar os produtos, sendo essa uma das diretrizes principais do Regulamento.

E para trabalhar em equipe de forma organizada, fomos pro Pinterest e colocamos várias referências que poderiam se encaixar com os produtos. Tudo bem simples.

 

Dia das Palestras

Palestras Archathon Rio

 

Chega o dia 25 e as palestras super interessantes.

Tivemos o Pedro da Viva Decora, que falou sobre o novo posicionamento para arquitetura nessa nova era digital. E nos levou a conhecer o Ciclo de Encantamento do Cliente.

A Creditas como uma nova solução para empréstimos focados em reformas.

O Sebrae com todo expertise de formação para gestão de negócios.

A Zen Design mostrou os produtos da marca e falou sobre tendências da arquitetura e design.

Tivemos a Hunter Douglas, alinhada com as preocupações ambientais e trazendo novidade como fio, feito com materiais recicláveis.

E a Urban Arts, que mostrou as possibilidades decorativas com os produtos deles, além de falar um pouco sobre o mercado de arte.

E a última palestra foi do Supersonic, que analisou alguns sites de arquitetura e deu dicas valiosas para conversão.

O evento também contou com o apoio da Pormade .

A host do evento foi a Aline Araujo do blog Ame Arquitetura.

Depois de uma manhã de palestras, tivemos mais a noite o sorteio dos mentores.

Nessa constelação estavam:

 

Cada um deles faria a mentoria de 6 grupos.

E pelo sorteio, tivemos a honra de sermos mentoradas pelo arquiteto Ricardo Melo.

 

Chega o dia da Maratona

No sábado pela manhã, tivemos o comunicado do briefing. Seria um estúdio, um primeiro apartamento para um jovem e que nesse espaço essa pessoa também pudesse trabalhar.

Seguimos para as estações de trabalho e depois de aprofundar o estudo do espaço vendo:

  • Fotos e Vídeo do local
  • Verificando proporções e informações da planta de levantamento
  • Entender melhor o escopo e o briefing do projeto

Decidimos escolher um personagem real para fazer o projeto.

Dentro de um brainstorm pensando em profissões como: fotógrafo, engenheiro, analista de mercado financeiro, artista plástico, etc etc etc. Pensamos na profissão do Escritor.

Porém a ideia era que fosse um jovem, e então surgiu a ideia de fazer o loft inspirado no escritor best seller Eduardo Spohr.

Esse escritor, trabalha com ficção em particular com a criação de mundos fantásticos. Tem formação em jornalismo, e também atua com blog e é participante frequente do Podcast Jovem Nerd, que trata de diversos assuntos como: história, literatura, política, ficção etc.

Os livros best seller do autor, seguem uma temática que mistura mitologias e crenças, e se passa dentro de um background da história da humanidade, nos levando desde a construção da babilônia, passando pelas guerras do século XX até os dias de hoje. Além de transitar entre várias mitologias como egípcia, nórdica, celta etc..

Dentro disso nos baseamos em 4 máximas para o conceito do projeto:

  • Viagem Introspectiva
  • Mitologia e Histórias
  • Criação de Cenários
  • Invenção de Mundos

Com essas máximas definidas colocamos a moradia como espaço mutante que pode variar com o humor do escritor, e assim permitir a liberdade criativa, sendo sofá modulado, o agente primordial para a mudança do espaço. Portanto:

Pode funcionar de maneira agrupada caracterizando a introspecção.

Pode funcionar de forma espalhada afim de priorizar o convívio social dos amigos criando uma circulação maior.

Ou ainda de forma intimista, para um encontro romântico. Além de outras composições.

Humores do Espaço

O fato de projetar para um jovem escritor dá liberdade poética em relação a concepção do projeto. Hoje o espaço tem que acompanhar a rotina, encaixar com estilo de vida e ser palco de conquistas. Quantos “ganchos” mais puder colocar nesse espaço pra acompanhar as evoluções pessoais de quem utiliza, com certeza terá alcançado seu potencial máximo.

Depois do conceito e setorização alinhados, partimos para a pesquisa de materiais e acabamentos.

Elegemos como materiais principais: a madeira, couro, ferro, vidro e a cerâmica. E outros materiais naturais, como linho e pedra, para ajudar a acabar com a frieza do fundo branco.

Moodboard

Nos inspiramos também no estilo escandinavo como tendência para conversar com espírito da época, ideia de misturar o antigo com o moderno é uma característica desse estilo. A escolha dessa tendência reflete o local onde a mostra está instalada, o Porto do Rio de Janeiro de galpões e antigas histórias que contrasta com a modernidade de novos prédios e urbanização instaladas na revitalização do porto.

A palheta do estilo e os materiais, também voltam a essência do minimalismo, mote da mostra desse ano cujo o tema é “Foco no Essencial”, a escolha das cores neutras contrasta com os materiais naturais trazendo o aspecto aconchegante para o espaço.

Como base para conexão das figuras mitológicas usamos a arte do britânico Ruben Ireland, que utiliza técnicas digitais e tradicionais para suas composições e sua inspiração são seres mitológicos da floresta e mulheres.

Durante o processo apresentamos todas as ideias ao nosso mentor Ricardo Melo, que com experiência nos ajudou nas resoluções da planta e referências de estilo para a composição do espaço.

E essa foi uma das partes mais primordiais no processo. É muito importante quando podemos ouvir uma opinião construtiva sobre o trabalho. Isso ajuda na riqueza dos detalhes e também a corrigir algumas falhas que por estar dentro do processo muitas vezes não enxergamos.

No meio da tarde o clima começou a ficar mais tenso pela expectativa do tempo.

Mas como estávamos com as questões do projeto alinhadas dividimos as forças para conseguir um resultado melhor.

Olhar compenetrado

A Mari cuidou de toda parte conceitual e da apresentação. A Barbara concluiu as especificações, escolhas dos acabamentos e o croqui a mão. E a Carol partiu para finalização do 3D e renderização do projeto, no qual aplicamos toda a metodologia que ensinamos na [Lev.].

Para o 3D:

  • Finalizamos e aprovamos a modelagem no Sketchup
  • Escolhemos os ângulos da câmera
  • Configuramos os materiais realísticos no V-Ray
  • Fizemos o teste de luz
  • Um render rápido de uma imagem prévia (para não errar)
  • E finalmente colocamos para renderizar uma sequência de 5 imagens (isso era as 18:30h a entrega final seria as 20:30h).

Pode parecer muita coisa, mas quando você tem uma estrutura e uma metodologia fica mais fácil de acertar, mesmo quando o tempo é contado em cada segundo. O resultado final das imagens foi esse:

As 20:00h juntamos todo o material, organizamos na sequência que a Mari tinha elaborado e finalizamos o croqui.

Entregamos o pen drive e o croqui para a organização do evento.

E fomos descansar.

 

A apresentação final

No outro dia, no domingo, os mentores se dividiram em duas salas isoladas, e cada grupo teria 5 minutos para fazer a apresentação para o seu mentor e também para os outros mentores.

Essa apresentação classificaria 10 dos 30 grupos para a final com jurados externos convidados.

Ensaiamos algumas vezes os pontos principais, e dividimos os tópicos para cada uma falar e testar o tempo da apresentação.

Passamos nessa classificatória, ufa. Mas a tensão continuava a mil.

Depois, organizaram os grupos classificados em uma sala separada e então, começaram as apresentações finais para os jurados.

Alguns critérios de apresentação foram:

  • Originalidade
  • Atendimento do Briefing
  • Colocação dos Produtos dos Patrocinadores no Projeto
  • Criatividade

Não pudemos ver quem se apresentou antes.

Havia um auditório e cada grupo era chamado por ordem alfabética e apresentava o projeto aos jurados.

Quem já havia se apresentado ficava no auditório e via a apresentação dos outros grupos.

Chegou a hora da nossa apresentação e novamente tínhamos 5 minutos para mostrar o conceito e o projeto. Imagine a tensão.

 

Assim que todos os grupos finalizaram, os jurados ponderaram por 20 minutos e então anunciaram os prêmios de menção honrosa e depois o grupo vencedor.

Quando anunciaram o nome do nosso grupo, ficamos muito felizes e agradecidas.

 

Vencemos!!

 

Foi uma maratona de muito trabalho e a corrida contra o tempo o que deixava tudo mais tenso.

Mas encontramos pessoas incríveis, mentores com verdadeira cumplicidade e que contribuíram e muito com os projetos.

Precisamos aqui fazer um agradecimento especialíssimo para a Paula Neder que foi nossa mentora de coração.

Ao professor Carlos Murdoch que sempre será uma grande inspiração para nós.

A Marcelle Castro Neves, o Felipe Capdeville, a Andrea Menezes e o Danilo Saccomori, pelo apoio e incentivo.

E ao incrível Ricardo Melo, que é nosso mentor nessa jornada e vem colaborando muito e fazendo a diferença nos contatos com os fornecedores e nos alinhamentos e detalhes do projeto em todo processo.

O Casa Cor Rio 2017 que acontece de:

24 de outubro a 30 de novembro de 2017

De terça-feira a domingo, e feriados, das 12h às 21h

AQWA Corporate – Via Binário do Porto, 299 – Santo Cristo, Rio de Janeiro – RJ

 

Muito obrigada e nos vemos lá.